terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ARTE NA FAVELA_ LINK ABAIXO


Tico (43), artista morador do Conjunto Confisco, há seis anos faz arte com jornal. Com uma roupagem própria e inovadora, a qualidade de seu trabalho está tanto na sensibilidade estética quanto social.

Herbert Dias de Oliveira, morador do Conjunto Confisco, conhecido artisticamente como Tico, faz um trabalho artesanal incomum e de rara beleza. Ele utiliza como matéria-prima jornais, verniz e cola para compor maquetes, normalmente miniaturas de projetos arquitetônicos; quadros, além de acessórios como bolsas, cintos, sandálias e objetos de decoração como cestas, estantes e mesas. O trabalho do artista tem como resultado uma textura semelhante à madeira. Com muita habilidade e sensibilidade, ele dá forma a obras belíssimas, inspiradas em cartões postais, fotos, e, comumente, no conjunto arquitetônico da Pampulha, do qual tem a Igreja de São Francisco de Assis, como um de seus temas preferidos. A cidade de Belo Horizonte, a arquitetura barroca mineira, animais e templos são outros assuntos trabalhados com perfeição pelo artista.

A técnica foi aprendida há seis anos, com um artesão que fazia cestas, foi aperfeiçoada com maestria por Hebert, que desenvolveu a arte a seu modo. O magnetismo de seu trabalho está tanto na inventividade estética quanto na preocupação social de transmitir seus conhecimentos, democratizando e disseminando suas técnicas junto às comunidades, gerando para seus alunos novas possibilidades de renda e de vida, transformando as notícias de dias passados em arte e solidariedade.

Durante quatorze anos, Hebert teve uma barraca na Orla da Lagoa da Pampulha, onde vendia cocos e comercializava suas obras. Neste período fez muitas amizades e contatos, que resultaram em parcerias fundamentais para alcançar reconhecimento. Um de seus clientes era Wilson Frade, jornalista do Estado de Minas, que o apoiou e incentivou abrindo as portas para publicações de matérias em jornais e revistas, mostrando o trabalho ímpar do artista, que o encantava. Também na Pampulha fez contato com Guilherme Mendes, do Globo Esporte, que apreciou seu trabalho e indicou o artista para a produção do MGTV. O trabalho de Herbert, na mesma semana, em 2005, ganhou espaço no Jornal Nacional, cuja equipe gravou a matéria em sua casa.

Em 2001 realizou sua primeira exposição individual, no Centro Cultural Lagoa do Nado, batizada como “Estruturas Templárias”, na qual o artista trouxe trabalhos inspirados em templos e igrejas. O artista conta que os gostos pela leitura e por pesquisas de temas relacionados às suas obras foram essenciais para o enriquecimento de detalhes das mesmas.

Em 2003 participou do Projeto Cestaria, realizado em parceria com a Fundação CDL Pró-Criança, no qual ministrou aulas em dois cursos oferecidos à crianças e jovens moradores do Morro das Pedras, numa escola da comunidade. No mesmo ano, ofereceu outro curso voltado para a terceira idade na casa Dom Bosco, em Betim.

Esse foi um dos trabalhos que mais emocionou Tico. Ao final do curso, ministrado para 20 senhoras, ele recebeu delas uma carta de agradecimento na qual chamavam Tico de professor e diziam estar muito felizes por ele ter “renovado” a vida delas, oferecendo a possibilidade de obtenção de renda e ajudando a resgatar a auto-estima perdida. Segundo Tico, os artigos elaborados pelas senhoras foram vendidos com sucesso na feira de artesanato de Betim.

Em 2004, deu oficinas em Ibirité, numa escola pública, das quais participaram em média 520 crianças e adolescentes, mobilizando toda a comunidade escolar. Este projeto foi viabilizado pela Ibiritermo em parceria com a Petrobrás. Como voluntário em algumas escolas, no Confisco, em 2005, pelo Projeto Escola aberta. Criou tudo, são peças únicas, criadas pela sua mente. Entre 2001 e 2005 expôs no Mercado da Lagoinha, Vitalles Club, Cervejaria Pau e Pedra (2002), Bahia Shopping e Big Shopping (2003), Shopping Del Rey (2004) e Carrefour Pampulha (2005).

Peças exclusivas criadas por Tico chegaram a ser vendidas na Europa, gerando excelentes ganhos e seu trabalho lá fora era bastante valorizado. Ele tinha um amigo que morava em Londres e que fez parceria com uma loja de design, onde as bolsas de jornal chegavam a atingir o valor de R$1.000,00. No entanto, o contato com esse amigo foi perdido e Tico deseja firmar outra parceria para poder voltar ao mercado europeu.

Ano passado, parte da obra de Tico foi publicada num catálogo com apoio da Universidade FUMEC e da C/ Arte – Projetos Culturais, com texto e fotografia de Fernando Pedro, cronologia de Jacqueline Prado de Souza e Design da C/ Arte.

O artista conta que teve que retirar sua barraca da orla da Lagoa por determinação da Prefeitura e com isso, depois de quatorze anos, sua vida mudou de rotina. Habituado a comercializar seu trabalho naquele local, perdeu sua renda e teve que procurar outra profissão para arcar com suas despesas e o sustento da filha. Há quatro meses, Herbert trabalha como auxiliar administrativo numa empresa de telecomunicações e este ano ainda não pode se dedicar a montar uma exposição, como fez desde o inicio da carreira. Com o artesanato e a barraca sua renda era bem maior do hoje. No momento, está comercializando suas peças fazendo boca-a-boca entre amigos, no ônibus, nas filas de bancos para onde leva acessórios pequenos como brincos e colares feitos também de jornais, papel de revista e encartes de supermercado.

Tico

Telefone de Contato: (31) 3476-4947 / (31) 9935-3650

http://www.favelaeissoai.com.br/artistas.php

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